Rejeite as armas da violência

O filme de terror recém-lançado "Armas" me lembrou da facilidade com que seres humanos, mesmo os mais inocentes entre nós, podem ser moldados em instrumentos vivos de morte pelos poderosos e manipuladores. No entanto, fiel aos hábitos de Hollywood, a história acaba recorrendo ao assassinato como única resposta à violência desenfreada. Também é revelador que até mesmo contadores de histórias liberais frequentemente recorram ao velho padrão de destruir a "bruxa" para proteger os inocentes.

Nas últimas semanas, o mundo testemunhou uma série perturbadora de atos violentos cometidos por indivíduos de diferentes origens. Robin Westman, um indivíduo transgênero, atirou e matou duas crianças em uma igreja católica em Minneapolis. Decarlos Brown Jr., um homem negro, cortou a garganta de uma mulher ucraniana em um trem do metrô em Charlotte, Carolina do Norte. Daniel Raab, um atirador israelense, atirou e matou dois palestinos desarmados em Gaza à distância. À primeira vista, esses assassinatos parecem não ter relação, mas a resposta a eles seguiu um padrão familiar. Cada evento foi aproveitado para demonizar grupos inteiros de pessoas. O crime de Westman foi usado para atacar transgêneros, o crime de Brown para atacar negros e o crime de Raab para denunciar israelenses.

Há um elemento de verdade nessas narrativas direcionadas, mas a solução social promovida por governos, comentaristas e influenciadores não é a unidade, mas a busca por bodes expiatórios. René Girard, o pensador francês que analisou as origens da violência humana, demonstrou que a busca por bodes expiatórios é uma das estratégias mais antigas que as sociedades usam para administrar o caos. Ao direcionar a raiva para um indivíduo ou grupo, comunidades em crise alcançam uma unidade temporária. No entanto, o mundo depois de Cristo é diferente. Os Evangelhos expõem o mecanismo da busca por bodes expiatórios e revelam sua injustiça. Nas sociedades modernas, assombradas por essa revelação, a busca por bodes expiatórios não funciona mais para trazer paz. Ela apenas intensifica a divisão e cria novos ciclos de ódio.

O apóstolo Paulo escreveu em Efésios 6:12: “Pois não lutamos contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nas regiões celestes.” Este versículo capta o cerne da questão. O mal não reside em raças, gêneros ou nacionalidades específicas. Ele emerge da desordem espiritual que aflige todos os seres humanos. A crucificação de Cristo nos mostra que, quando as sociedades se unem em torno de um bode expiatório, estão, na verdade, revelando sua incapacidade de enfrentar a própria violência. A morte de Cristo desmascara a futilidade da catarse através do sacrifício. O que antes produzia unidade, agora gera uma fragmentação mais profunda.

Isso significa que devemos libertar criminosos e abandonar a justiça? De forma alguma. Mas somos chamados a reconhecer que as raízes da violência vão além dos próprios atos individuais. Quando a sociedade tolera males sistêmicos como exploração econômica, guerras injustas, desintegração familiar, idolatria e negligência com crianças e idosos, cria terreno fértil para a violência caótica. Rir ou normalizar tal violência é aceitar um mundo onde a desordem se torna o novo normal.

Os casos de Westman, Brown e Raab ilustram esse ponto. Westman deixou para trás um desenho de si mesmo olhando para um espelho onde um demônio o encarava de volta. Suas armas estavam marcadas com slogans ideológicos contraditórios, todos clamando pela multiplicação da morte. Brown, um racista demente, solto por um sistema de justiça igualmente demente, alegou que uma força externa o compeliu a cometer seu crime. A unidade das Forças de Defesa de Israel (IDF) de Raab ostenta orgulhosamente insígnias marcadas com chifres e uma cauda do diabo. Conscientes ou não, imagens satânicas permeiam a vida e as ações dos assassinos. Esses símbolos chamam a atenção para como a violência frequentemente carrega consigo um contágio demoníaco, arrastando outros para o ciclo de destruição.

Para enfrentar tal violência, devemos pensar como exorcistas. Um verdadeiro exorcista não transforma o possuído em bode expiatório nem o destrói, mas busca expulsar o mal. Da mesma forma, a sociedade deve aprender a separar os seres humanos das forças destrutivas que os consomem. A empatia deve se estender não apenas às vítimas da violência, mas também aos perpetradores, que muitas vezes estão presos em ciclos de possessão e desespero (Mateus 5:44, Romanos 12:14, 1 Pedro 3:9). Ao mesmo tempo, devemos confrontar as estruturas mais amplas da violência socialmente aceita que legitimam a desordem (Tiago 4:7, Judas 1:9, Zacarias 3:2). A existência de brancos, negros, israelenses ou pessoas transgênero não é a causa do mal. A verdadeira causa é o pecado, que em termos bíblicos significa "errar o alvo". O alvo é a theosis, a transformação em humanidade semelhante à de Cristo.

A cultura moderna insiste que os seres humanos podem se tornar bons sem Deus. Os assassinatos que testemunhamos demonstram os limites dessa crença. Sem uma fonte transcendente de bondade, ficamos com o tribalismo, a busca por bodes expiatórios e ciclos intermináveis ​​de vingança. A modernidade reduz as pessoas a categorias de raça, gênero, política ou credo, o que facilita a busca por bodes expiatórios. A revelação cristã oferece uma perspectiva diferente: cada ser humano é criado à imagem de Deus, não um estereótipo ou um inimigo.

Nem a supremacia racial, nem o sionismo, nem a ideologia política podem nos salvar da violência. São todas formas de escravidão ao materialismo. A violência está se tornando normalizada à vista de todos. Charlie Kirk foi recentemente morto a tiros em público, e muitos na esquerda política aplaudiram o ato. Essa normalização do caos é precisamente o que a cruz de Cristo nos alerta. A verdade antropológica da crucificação está diante de nós: a busca por bodes expiatórios não curará nossas sociedades, e a violência não pode ser redimida com mais violência. A menos que reconheçamos essa verdade, a ignoramos por nossa conta e risco.

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