O post convidado de hoje é do escritor/comentarista Paul LaScola.
O senso de Deus e o comércio têm estado com a humanidade ao longo da história. Essas duas características do homem — uma espiritual, uma física — transcendem todas as suas realizações e fracassos. Reinos surgiram apenas para cair. Governos vêm para tomar o lugar deles. Fronteiras são fluidas a longo prazo. Nações se fundem e depois se dissipam. Catástrofes físicas esmagam os planos dos homens. Essas construções e desastres são comuns a todas as culturas e sociedades, mas o senso de Deus e o engajamento no comércio continuam. Por quê?
Amar uns aos outros é o segundo grande mandamento de Jesus. Em todo o mundo, os cristãos consideram Jesus como seu Senhor e Salvador: o próprio Deus se tornou um homem. Além desse relacionamento espiritual abrangente que é oferecido a todos nós, Seus ensinamentos são consistentes e validam uma maneira eminentemente prática e natural de mostrar amor uns aos outros (mesmo para aqueles que estão além do nosso círculo imediato). Não como entre aqueles que têm um vínculo emocional, mas, ainda assim, amor real. Como? Por meio do amor objetivo e impessoal — racional e universal — como manifestado no exercício do comércio em todo o mundo diariamente.
Este segundo grande mandamento de Jesus é primeiro: um lembrete e resumo dos mandamentos do Antigo Testamento dados a Moisés governando os relacionamentos com os homens entre si. E segundo: uma revelação e encorajamento por Jesus de que o comércio é um relacionamento natural e abençoado entre indivíduos em todos os lugares. Por sua natureza, o comércio é voluntário e, portanto, moral como um meio de suprir as necessidades e desejos de seus participantes mútuos. É uma maneira de expressar amor consistente com a lei natural de Deus: as leis físicas do universo, os princípios da economia e a lei moral de Deus conforme narrada nos escritos bíblicos.
No comércio, os participantes oferecem uns aos outros itens ou serviços em troca de outros itens ou serviços percebidos como de valor igual ou maior (mas de utilidade diferente para cada participante). Cada um está compartilhando o que o outro tem a oferecer em uma troca alegre e equitativa. Isso não parece ser o próprio cumprimento do segundo princípio da filosofia cristã? Um expresso por Jesus quando Ele nos advertiu a fazer aos outros, não o que gostaríamos que fizessem conosco, mas sim as (ou da maneira que) gostaríamos que fizessem conosco, inclusive tendo consideração pelos desejos de outro.
Muitos cristãos professos assumem a posição de que o comércio é uma necessidade infeliz da condição humana e não é de forma alguma espiritual; que constitui tentações na ponta dos pés na borda da ganância ou vantagem egoísta sobre o próximo. Para alguns, até mesmo a produção — que faz o comércio e toda a economia funcionarem — é suspeita. Afinal, não deveríamos dar livremente, mesmo ao ponto do sacrifício?
Até que ponto alguém pode ser motivado a dar é uma função de seu coração e habilidade. Ele pode servir aos outros diretamente apenas com os recursos de sua riqueza e habilidade, e mesmo assim apenas seus vizinhos dentro de um círculo limitado. No comércio, no entanto, suas transações impessoais podem beneficiar milhões em qualquer dia, abençoando os participantes para sua alegria ao realizar seus desejos, dando de um lado e recebendo do outro em perfeito equilíbrio e harmonia. Isso não é amar o próximo?
O significado mais amplo dos ensinamentos de Jesus sobre esse assunto foi, até onde sei, reconhecido e articulado pela primeira vez por Spencer Heath. Ele se refere a essas duas manifestações de amor como amor pessoal e subjetivo, por um lado, e como amor impessoal e objetivo, por outro (universalizado no comércio).
Alguns rapidamente objetarão que o lucro é recebido no comércio, em oposição à doação altruísta. Eu encontro valor (ou "lucro") em ambos os cenários, mas cada um de um caráter diferente. Isso não é verdade para todos nós? Pode-se argumentar que o altruísmo é mal compreendido e talvez seja apenas um conceito teórico. Nenhum homem faz nada sem a firme convicção de que a ação o beneficiará, ou pelo menos será mais benéfica ou menos prejudicial do que uma ação alternativa. Tais decisões são tomadas mesmo que a ação, em última análise, prove ser prejudicial (mesmo ao ponto da morte). Exemplos que comprovem esse fato são onipresentes e não requerem mais menção. Devemos sempre ter em mente que o valor é subjetivo; como tal, nunca podemos entender nem apreciar completamente as motivações que outra pessoa considera lucrativas (tangível ou intangível). Para o cristão, a esperança da vida eterna em comunhão com Deus, por meio do sacrifício de Jesus Cristo, não fornece maior exemplo de lucro intangível.
Mas na sociedade de hoje, a ideia de lucro é geralmente mal compreendida (ou pelo menos mal utilizada). Podemos ler que um homem destruiu sua propriedade por incêndio criminoso na expectativa de "lucrar" com o acordo de seguro. Esse ganho é um exemplo de roubo, não lucro genuíno. Pode haver ganho, mas é o resultado de desonestidade. Somente ganho honesto pode ser considerado lucro genuíno. Trocar honestamente é um comando de Deus.
Então, fechamos o círculo. Amamos nosso próximo fazendo o bem a ele e para ele, tanto espiritual quanto praticamente. Assim, de uma vez, honramos as leis de Deus e realizamos nosso potencial. Também observarei que nada aqui requer o apoio ou a governança de qualquer terceira parte não envolvida (incluindo qualquer estado), mas esse é outro argumento para outro dia.


