Isaías 9:6-7 (NVI 1984):
6 Para nós uma criança nasce,
um filho nos foi dado,
e o governo estará sobre seus ombros.
E ele será chamado
Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte,
Pai eterno, príncipe da paz.
7 Do aumento do seu governo e da paz
não haverá fim.
Ele reinará no trono de Davi
e sobre o seu reino,
estabelecê-lo e mantê-lo
com justiça e retidão
desde então e para sempre.
O zelo do Senhor Todo-Poderoso
vai conseguir isso.
O profeta Isaías fala da vinda de Cristo. Ele já o havia feito no capítulo 7, falando do menino Cristo como um sinal, nascido de uma virgem. Em vez de um sinal no capítulo 9, no entanto, vemos a criança vindo como um dom da graça.
Algumas pessoas parecem interpretar a próxima frase como uma espécie de proclamação teocrática. Por um lado, tal visão não é completamente errado. Cristo é de fato Senhor de tudo, e mesmo agora devemos ecoar aquele mantra clássico, “Nenhum Rei senão o Rei Jesus”. No entanto, o “governo [estar] sobre seus ombros” não é algum tipo de “Jesus assume o controle do estado” como Atlas carregando o peso do mundo sobre seus ombros. Em vez disso, a insígnia do ofício real na época de Isaías foi colocada nos ombros, e, assim, declara a natureza real do vindouro menino Jesus.
Ainda assim, que tipo de rei ele é? O que entendemos de Jesus dizendo que seu reino “não é deste mundo” deve nos levar a reinterpretar esta passagem como profetizando a vinda do próprio Reino de Deus – a obra ativa de Deus no mundo que ele nos chama para participar. O restante dos versículos 6 e 7 mostra o personagem daquele trabalho do reino.
Os quatro nomes pelos quais ele será chamado devem enquadrar nosso pensamento, já que a nomenclatura na Bíblia tem a intenção de ser orientada pelo caráter. Todos os nomes descrevem Jesus, é claro, mas eu especularia que os três primeiros também poderiam ser interpretados como alusões à Trindade. “Conselheiro” nomeia o Espírito Santo (João 14:16,26), “Pai Eterno” obviamente nomeia o Pai, e “Deus Poderoso” pretende fazer referência a Jesus. Talvez “Deus Poderoso” seja significativo por duas razões. Primeiro, exige a adesão a Jesus sendo totalmente divino, mas totalmente homem. Segundo, declara a totalidade do seu trabalho as poderoso. Por que é poderoso? O verdadeiro poder não é encontrado em sem energia outros, mas poder sob. O poder de Jesus é demonstrado por meio de seu amor e serviço incondicionais. Isso o torna poderoso. “Príncipe da Paz” descreve ainda mais sua obra de reconciliação de Deus e do homem, e, claro, nos lembra que nossa união com sua obra nos traz paz e exige que sejamos de paz também.
Na vinda de Jesus Cristo, o Reino de Deus está “próximo” (Marcos 1:15), e Isaías diz que sua obra, trazendo paz, não terá fim. O cumprimento do trono de Davi não está em um império mundial, mas em uma cruz que serve ao mundo inteiro. A morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus são o ponto focal da obra e da mensagem do Reino. A justiça é assim satisfeita, e a retidão é assim demonstrada, daquele momento em diante e para sempre.
Deus Pai, o Senhor Todo-Poderoso, é zeloso por seu Filho e trabalha para realizar tudo. A emoção nas palavras desta proclamação é palpável e, para mim, sempre traz à mente o glorioso Messias oratório de George Frederic Handel. Esses dois versos prenunciam a obra do nosso Salvador, e quão diferente ela será de qualquer um dos reis e reinos terrestres que Isaías experimentou em seus dias. Enquanto aqueles que desejam poder terrestre passarão, o incrível Reino de Jesus é estabelecido “com base no poder de um vida indestrutível” (Hebreus 7:16) Deus graciosamente chamou cada um de nós para esta obra, dando-nos dignidade e tornando-nos poderosos também, quando vivemos em sinergia submissa ao seu chamado.
Esta postagem foi escrita em homenagem à minha avó, Frances Horn.


