“A própria liberdade foi atacada esta manhã por um covarde sem rosto, e a liberdade será defendida.” ~ George W. Bush, Setembro 11, 2001
Ouvimos isso repetido alto e continuamente desde 9/11 – as tropas estão defendendo nossas liberdades. Essa alegação é feita com tanta frequência e por tantos segmentos diferentes da sociedade que se tornou outro ditado nacional sem sentido – como “Deus abençoe a América” ou “Em Deus nós confiamos”.
Este clichê é, na verdade, bem insidioso. Ele é usado como um mantra para justificar ou desculpar qualquer coisa que os militares dos EUA façam.
As tropas dos EUA estão envolvidas em guerras inconstitucionais e não declaradas, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Ataques de drones dos EUA mataram civis no Paquistão, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Bombas dos EUA caíram em uma festa de casamento no Afeganistão, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Soldados dos EUA assassinaram civis afegãos e ficaram com algumas partes de seus corpos, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Pilotos de helicópteros dos EUA atiraram em civis iraquianos, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Soldados dos EUA mataram civis por esporte, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades. Tropas dos EUA mataram civis descuidadamente e depois encobriram, mas as tropas estão defendendo nossas liberdades.
Mas como já apontei muitas vezes em meus artigos sobre o exército, e outros como Jacob Hornberger da Future of Freedom Foundation têm argumentado durante anos (ver aqui. e aqui.), as tropas estão fazendo tudo, menos defender nossas liberdades. Na verdade, quanto mais as tropas defendem nossas liberdades bombardeando, invadindo e ocupando outros países, mais inimigos elas fazem dos Estados Unidos e mais nossas liberdades são tiradas em nome do “combate ao terrorismo” ou da “segurança nacional”.
Sem nenhuma ordem específica, e em vários graus de significância, aqui estão algumas liberdades que eu gostaria que os militares defendessem:
- A liberdade de voar sem ser violada sexualmente.
- A liberdade de comprar uma arma sem período de espera.
- A liberdade de cultivar, vender e fumar maconha.
- A liberdade de vender bens e serviços pelo valor que o comprador estiver disposto a pagar.
- A liberdade de fazer mais de seis saques da sua conta poupança por mês.
- A liberdade de beber álcool como adulto legal e votante com menos de 21 anos de idade.
- A liberdade de comprar Sudafed sem receita.
- A liberdade de jogar sem aprovação do governo.
- A liberdade de depositar mais de US$ 10,000 em uma conta bancária sem o escrutínio do governo.
- A liberdade de não ser parado em um posto de controle e ter seu carro revistado sem um mandado.
- A liberdade de vender qualquer produto ou oferecer qualquer serviço no Craigslist.
- A liberdade de preencher uma “zona húmida” na sua própria propriedade.
- A liberdade de cortar o cabelo de alguém por dinheiro, sem licença.
- A liberdade de produzir em casa mais de 100 galões de cerveja por ano.
- A liberdade de anunciar produtos de tabaco na televisão.
- A liberdade de fumar charutos cubanos.
- A liberdade de não usar cinto de segurança.
- A liberdade de estarmos seguros em nossas pessoas, casas, papéis e bens, contra buscas e apreensões injustificadas.
- A liberdade de ficar com os frutos do próprio trabalho.
- A liberdade de um empregador e um empregado negociarem qualquer salário.
- A liberdade de discriminar qualquer pessoa por qualquer motivo.
- A liberdade de filmar a polícia em público.
- A liberdade das empresas de contratar e demitir quem quiserem.
- A liberdade de não ser brutalizado pela polícia.
- A liberdade de não ser preso por crimes sem vítimas.
- A liberdade de vender leite cru.
- A liberdade de não submeter o filho a vacinas desnecessárias.
- A liberdade de não ter seu filho levado injustamente pelos Serviços de Proteção à Criança.
- A liberdade de não estar sujeito ao Patriot Act.
- A liberdade para as crianças montarem barracas de limonada no bairro.
- A liberdade de não ter todas as facetas dos negócios e da sociedade regulamentadas.
- A liberdade de ficar em casa durante um furacão.
- A liberdade de não ter nossos e-mails e conversas telefônicas monitorados.
- A liberdade de viajar e negociar com qualquer país.
- A liberdade de ser deixado em paz.
Certamente há centenas de coisas que poderiam ser adicionadas. Não vivemos mais em um país livre. Estamos cada vez mais vivendo em um estado policial, um estado de guerra e um estado de segurança nacional. Nossa liberdade não é absoluta. A única razão pela qual os Estados Unidos ainda são considerados “a terra dos livres e o lar dos bravos” é porque somos relativamente livre, com o grau de liberdade variando dependendo do país com o qual a América é comparada.
Eu preferiria viver em outro lugar? Não, eu não preferiria, mas essa é uma pergunta ridícula. Primeiro, se o típico alemão, italiano, sueco, coreano, australiano ou espanhol fosse perguntado se ele preferiria viver em outro lugar, você provavelmente obteria a mesma resposta. E segundo, embora um prisioneiro prefira viver em uma prisão limpa do que em uma prisão suja e uma prisão segura em vez de uma prisão violenta, ele preferiria não ser um prisioneiro em primeiro lugar.
Concluo com três breves pensamentos. Um, quero que os militares defendam nossas liberdades. Mas lutar em guerras estrangeiras apenas reduz nossas liberdades. Afinal, ainda é verdade que a guerra é a saúde do estado. Dois, se os militares vão defender nossas liberdades, então precisamos de liberdades para defender. Nossas liberdades devem ser restauradas antes que os militares possam defendê-las. E três, a maior ameaça às nossas liberdades é o governo dos EUA, não os governos da China, Síria, Líbia, Iêmen, Iraque, Afeganistão, Rússia, Cuba, Venezuela ou Irã.
Originalmente publicado em LewRockwell.com Em setembro 6, 2011.


